Viés ideológico no BNDES traz perda de US$ 3 bi

Financiamentos de exportação de serviços são suspensos e abrem espaço para estrangeiros tomarem obras de companhias brasileiras.

Desde 1998, o BNDES já financiou US$ 15,2 bilhões em exportação de serviços de engenharia. Denúncias de corrupção para obtenção de contratos nos países, feitas no rastro da Lava Jato, levaram o banco a suspender diversos empréstimos, que somam pouco mais de US$ 3 bilhões.

Se ninguém defende a continuidade de financiamentos de obras suspeitas, também não há motivo de jogar a criança fora junto com a água da bacia. Buscar soluções que punam os responsáveis, e, em alguns casos, trocar as empreiteiras, podem abater as falcatruas e manter as exportações brasileiras.

Mas o viés ideológico que tomou conta do BNDES não joga nesse sentido. Ao punir as empresas nacionais, abre espaço para companhias dos Estados Unidos, Espanha e outras potências interessadas em manter o mercado latino-americano.

Paulo Rabello de Castro, que de petista não tem nada e assumiu a presidência do BNDES após a deposição de Dilma, já disse que “há muita má vontade porque é financiamento para Venezuela, Cuba, Peru”. E ensina: “O BNDES não financia obra no exterior, cada centavo pago precisa de uma nota fiscal emitida no Brasil.” Os serviços são realizados no Brasil, por trabalhadores brasileiros, e enviados ao exterior, explicou o economista.

O atraso nos pagamentos também não é desculpa. Além dos possíveis prejuízos serem cobertos por um fundo de garantia, a inadimplência não é tão alta. Cuba, que enfrenta problemas com a crise econômica mundial, noves fora o bloqueio dos EUA, deve US$ 62 milhões, quantia que vai sendo acertada e não sobe. Mesmo a Venezuela, que não conseguiria pagar ainda que tivesse o dinheiro, não pode negociar no sistema financeiro global, excluída pelos Estados Unidos. O atraso venezuelano soma US$ 374 milhões. Moçambique, com sérios problemas econômicos, agravados pelo furacão, deve US$ 118 milhões. Somando tudo, dá pouco mais de US$ 500 milhões dos US$ 10,5 bilhões liberados.

O viés ideológico, que prejudica o Brasil e beneficia os estrangeiros, fica claro quando se olha os financiamentos totais às exportações feitos pelo BNDES, quando se soma serviços e bens. Nesta lista, vem à frente a República Bolivariana… dos Estados Unidos, com US$ 17 bilhões financiados entre 1998 e 2017. Setenta por cento a mais do que os serviços exportados para dezenas de países.

 

Retaliação

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) condenam a manifestação do secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, que conclamou “anunciantes que fazem a mídia técnica” a ter “consciência de analisar cada um dos veículos de comunicação para não se associarem a eles, preservando suas marcas”, referindo-se a supostas fake news – mais especificamente, à Folha, que mostrou que o “laranjal” do PSL mineiro pode ter abastecido a campanha de Jair Bolsonaro ano passado, via caixa 2.

 

Plantação

Não faltam motivos robustos para Bolsonaro mandar passear o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. A manutenção do cultivador de laranjas no governo apenas reforça a denúncia de que o laranjal abasteceu o caixa 2 da campanha presidencial de 2018.

 

Rápidas

A Associação dos Advogados (Aasp) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizam nesta sexta-feira o I Encontro AASP e TST, evento que contará com a presença de cinco ministros da Corte. Inscrições: aasp.org.br *** O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e a Abracrim/RJ realizarão o I Seminário de Direito Penal Econômico, no dia 11, das 9h às 12h30, no Centro do Rio. Inscrições: iabnacional.org.br *** Nesta sexta-feira, o Caxias Shopping apresenta a Banda Orion, às 19h30 *** Nesta quarta-feira, às 18h30, Michelle Fernandes, CEO da M2Trade, ministra palestra sobre comércio exterior e os desafios do mercado de trabalho, no Centro Acadêmico da Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca (RJ). Inscrições bit.ly/Simposio100 *** Moradores da região do Porto Maravilha, onde está em construção a maior roda-gigante da América Latina, terão a prioridade no processo seletivo para o quadro de funcionários da Rio Star. Os interessados precisam comparecer à Estação Gamboa do Teleférico da Providência (aquele que está parado há dois anos) nestas terça e quarta-feira.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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