Vilões da inflação: eletricidade, gasolina, diesel e gás de cozinha

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial, de 1,14% em setembro, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que além de energia elétrica, gasolina, óleo diesel e gás de cozinha seguem pressionando o custo de vida. É o maior aumento para o mês de setembro desde 1994. O índice acumula alta 7,02% em 2021 e de 10,05% em 12 meses.

A inflação voltou com força total no país, atingindo a todos, sobretudo os mais pobres. É mais uma prova do fracasso deste governo e do equívoco da política de preço de paridade de importação, adotada pela gestão da Petrobras, para reajuste dos combustíveis”, destacou o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. Ele faz um alerta: “Enquanto essa política não mudar, a inflação continuará a disparar, deteriorando ainda mais o poder de compra dos trabalhadores”.

Conforme o IBGE, gasolina foi um dos itens que exerceram os maiores impactos individuais sobre o IPCA-15 de setembro. O preço médio da gasolina subiu 2,85% entre agosto e setembro e acumulou alta de 33,37% no ano e de 39,05% nos últimos 12 meses.

Dados elaborados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, subseção FUP (Dieese/FUP) (veja o quadro 2), mostram que o gás de botijão subiu 2,32% em setembro, acumulando no ano alta de 26,83% e, em 12 meses, 32,93%. No óleo diesel, a variação no ano é de 30,03% e de 34,55% em 12 meses, até setembro. Os efeitos em cascata dos reajustes dos combustíveis atingiram fortemente o grupo de transportes (alta de 2,22% em setembro) e alimentação (1,27%).

A prévia da inflação para setembro acompanha os movimentos nos preços dos meses anteriores, com forte peso dos combustíveis. Somando energia elétrica e alimentação, estamos entrando nos dois dígitos de inflação anual”, constata o economista do Dieese/FUP, Cloviomar Cararine.

Dados do Ineep

Desde 2019, a gasolina subiu 57%, o óleo diesel 45% e o gás de cozinha 73%. Os reajustes foram muito acima da inflação do período, de 15%, medida pelo IPCA. Apenas em 2021, a gestão da Petrobras aumentou seu preço do gás de cozinha na refinaria em 40%.

Os cálculos foram elaborados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Eles refletem os reajustes da política de preço de paridade de importação (PPI), adotada pela administração da Petrobras, e que acompanha a variação dos preços internacionais do petróleo, a cotação do dólar e os custos de importação.

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