Vingança

O fiscal da Secretaria estadual de Fazenda do Rio responsável pelo confisco do dinheiro na boca do caixa de um hipermercado, para compensar o não pagamento do ICMS, passou por maus bocados. Além de esperar por horas intermináveis até o hipermercado fechar o caixa, foi deixado numa sala sem ar condicionado, cafezinho e sequer água gelada.

Mais uma
Com sua nomeação para o conselho de administração do BNDES – noticiada pelo ex-porta-voz de Collor Cláudio Humberto em sua coluna na Gazeta de Alagoas – o candidato derrotado ao senado Roberto Campos já acumula duas sinecuras no serviço público. Além da boca no BNDES, Campos abocanha um cargo na Prefeitura do Rio, como assessor especial do prefeito Luiz Paulo Conde. Ou seja, privatização para o velho Bob Fields é apenas retórica jurássica para esconder hábito sistêmico de ficar na saia do Estado.

Fundo do tacho
Os R$ 4,2 bilhões do orçamento da Caixa Econômica Federal para aquisição da casa própria em 99 podem ser inteiramente consumidos até outubro. A projeção é do presidente da Caixa, Emílio Carazzai, baseada no ritmo das contratações realizadas no primeiro semestre. O orçamento será suficiente para financiar a aquisição de cerca de 250 mil moradias em todo o país, número pálido perto de um déficit estimado em, pelo menos, 5 milhões de residências. A Caixa entra com R$ 2,5 bilhões e o restante vem do FGTS. Atrás de mais recursos para não paralisar os financiamentos e prejudicar o setor de construção civil, a Caixa pode solicitar ao FGTS recursos adicionais e prepara o lançamento de um plano de renegociação de contratos habitacionais.

Liberta
Tudo bem que Itamar tomou uma postura independente ao assumir o Governo de Minas Gerais, mas a Secretaria de Imprensa e Divulgação da Presidência da República exagerou: na agenda de FH para sexta-feira, estava previsto encontro com o ministro de Estado de Minas Gerais, Rodolpho Tourinho.

Devagarinho
Aos poucos, o dólar está se aproximando de R$ 1,80.

Estrago
Em entrevista à televisão, um assessor da Barcas S/A, concessionária que explora a ligação Rio-Niterói, disse que o desabamento de parte do teto da Estação Araribóia foi um acaso. Segundo ele, apesar do prédio não ver a cor de uma reforma há 16 anos, não havia nenhum indício de problemas na construção. Provavelmente, o desabamento deve ter sido provocado por alguma bomba cirúrgica da Otan, que errou o alvo.

Sopa
O relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) condenando a licitação para exploração de áreas de petróleo mostra quão íntimas andam as relações entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as multinacionais interessadas em desembarcar por aqui atrás de um negócio da China. O edital não prevê nenhuma punição para o caso de descumprimento de contrato por parte das vencedoras da licitação. Além disso, não obriga a constituição de empresa no País para ser responsável pela exploração. De 37 empresas habilitadas pela ANP, 34 são estrangeiras. Apesar de ter levantado as suspeitas, o TCU, surpreendentemente, liberou a licitação.

Míope
Um jornal paulista, após gastar duas páginas de sua edição dominical com a cobertura do bombardeio na Iugoslávia, publicou um artigo assinado com a definição (qual fosse uma sessão) “Visão pró-Sérvia”. Donde pode-se concluir que o restante era a visão pró-Otan.

Pequenez
Em vez de aproveitar as contradições entre União Européia e Estados Unidos para conseguir vantagens comerciais para o Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, tem usado o protecionismo da UE para justificar uma submissão ainda mais absoluta do país aos interesses dos EUA. Fingindo ignorar que os americanos também são escandalosamente protecionistas, Lafer tem afirmado que a recusa da Europa a rever o fechamento de seus mercados aos produtos agrícolas brasileiros deveria empurrar o país para os braços da Alca. Como se um país das dimensões e do peso do Brasil não tivesse capacidade de exigir reciprocidade de todos os seus parceiros comerciais, sem ter como caudatário qualquer um dos blocos econômicos.

Favas contadas
A julgar pelo ato falho da chefe do Departamento do Índice de Preços do IBGE, Marcia Quinstlr, a escolha do IPCA para índice oficial da política de meta de inflação do governo não surpreendeu a todas as partes interessadas – além do IBGE, FGV e Fipe disputavam essa primazia. Durante o anúncio da escolha, que coincidiu com a revelação dos últimos números do IPCA, Marcia afirmou : “O secretário de Política Econômica, Edward Amadeo telefonou confirmando….quer dizer anunciando que o IPCA vai ser o índice oficial.”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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