Vinhos do Dão: elegância consistente do Centro Norte de Portugal

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Vinhedos do Dão (foto divulgação Comissão Vitivinícola Regional do Dão)
Vinhedos do Dão (foto divulgação Comissão Vitivinícola Regional do Dão)

Na semana em que os Vinhos de Portugal inauguram sua segunda feira de vinhos com provas de vinhos online e em parceria com grandes redes de supermercado, aproveito para falar de uma de suas regiões mais expressivas, objeto de um seminário promovido pela CVR Dão (Comissão Vitivinícola Regional dos Vinhos do Dão), com a participação de produtores premiados.

O Dão Experience envolveu jornalistas e educadores e foi conduzido pela sommelière Tita Moraes no Rio de Janeiro, incluindo uma prova virtual de cinco vinhos premiados na última edição de “Os Melhores Vinhos do Dão”: Casa da Passarella Villa Oliveira Encruzado 2017, Adega de Penalva Reserva Tinto 2017, Ladeira da Santa Grande Reserva Touriga Nacional 2017, Casa da Passarella Abanico Reserva Branco 2019 e Casa de Santar Vinha dos Amores Espumante Encruzado 2013.

Os vinhos foram apresentados pelos enólogos dessas vinícolas e corresponderam absolutamente ao lugar de representatividade que conquistaram, o que não era de se estranhar por parte de alguns produtores já muito respeitados que ali estavam e de uma região que tem apresentado uma consistência de qualidade respeitável.

Tornada DO em 1906, por muito tempo a produção do Dão funcionou como fornecedora de uvas e vinhos para cortes de grandes empresas, o que acabava sendo reducionista para a sua vocação vitivinícola. Isso começou a mudar nos anos 1980/1990, com o melhor aparelhamento dos produtores para assinarem seus próprios vinhos, e os frutos são evidentes, pois hoje tem uma sofisticada produção, capaz de agradar públicos diferenciados.

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Uma das marcas da região do Dão, além do que já caracteriza a vitivinicultura portuguesa, é a elegância dos vinhos, proporcionada pelo ótimo balanceamento climático que a sua localização confere. O Dão fica no Centro Norte de Portugal e recebe influências mediterrânica, pela sua latitude (o que favorece a produção de vinhos tintos generosos), e oceânica, pela longa costa atlântica. Tem ainda na altitude um fator decisivo para dar certa continentalidade ao clima e proteção natural para a umidade litorânea e para os ventos frios do interior. Nessas condições, também é possível fazer excelentes vinhos brancos. Uma das mais qualificadas cepas brancas de Portugal que tem ali seu habitat de predileção é a Encruzado. Dali se origina ainda, com brilho particular, a mais notória e internacional cepa portuguesa: Touriga Nacional.

Algo bem peculiar de muitos vinhos do Dão que chegam ao mercado atual é uma significativa presença de vinhos de uma variedade só, contrariamente à tradição nacional de produzir mais vinhos de corte. Encruzado e Touriga Nacional são ambos os rótulos varietais mais consagrados do Dão, mas vale ressaltar a qualidade ascendente dos vinhos da cepa Jaen (Mencía na Espanha) – amplamente vinificada na região – e dos vinhos e cortes tintos e brancos.

Outro aspecto que não se pode esquecer é a riqueza dos solos do Dão, que têm baixa fertilidade (apto a vinhos de qualidade) e são predominantemente graníticos com algumas inserções xistosas. Solos que favorecem a estrutura e mineralidade dos vinhos. Neste painel, tivemos dois vinhos varietais, um da Touriga e outro da Encruzado, dois vinhos de corte e um espumante da Encruzado. Não temos espaço para comentá-los particularmente, mas posso assegurar que são muito bons e deixo na versão online deste artigo um link para o resultado do concurso, com a lista de todos os rótulos premiados.

 

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