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Não se sabe se as Operações Kaspar I e II provocarão mudanças mais profundas de rotina. Mas, até recentemente, um ex-executivo de um bancão internacional recebia, em seu escritório em Ipanema, Zona Sul do Rio, uma seleta clientela de rentistas e empresários com muita bala na agulha para aplicações off shore.

Estelionato, não!
A derrota do governo na tentativa de prorrogar a CPMF não pode servir de senha para uma adesão do governo Lula ao programa de Geraldo Alckmin, repudiado nas urnas, em 2006. Afinal, era o tucano que defendia – ainda que se escudando em linguagem cifrada – o desmonte do Estado e um ataque mais incisivo aos direitos sociais. Bastou, no entanto, uma breve rememoração do que representaram as privatizaçõe$ da interminável era FH para que Alckmin passasse a renegar o passado do próprio governo tucano e perdesse o entusiasmo retórico quando convocado a apontar os alvos dos cortes públicos.
Por isso, é preocupante que, diante da perda de R$ 40 bilhões do Orçamento, o primeiro ato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, seja descartar a hipótese de mexer no superávit primário. Ou seja, R$ 40 bilhões viram pó e a preocupação primeva de Mantega é garantir os recursos do principal programa social do governo Lula, o Bolsa Juros, que, em 2006, foi brindado com R$ 160 bilhões.
Num primeiro momento, a sobra de arrecadação permitida, em parte, pelo crescimento do país, não provocará danos mais profundos pela perda da CPMF. A seguir, no entanto, o governo deve se dedicar a recompor as fontes permanentes de financiamento da Seguridade Social. As vontades desejosas de tucanos e pefelistas de aumento dos cortes dos gastos públicos não-financeiros devem ser dirigidas a Sua Excelência o leitor, em 2010, quando terão oportunidade de explicitar que setores devem ser vitimados para permitir a drenagem de recursos para o pagamento de juros a rentistas e sonegadores.

Ameaças virtuais
As principais ameaças à segurança online em 2008 são, segundo a Websense: as Olimpíadas (que irão incitar uma onda de atividade de piratas do computador); iPhones, o telefone da Apple; ataques na Web 2.0; spam invadindo blogs e mecanismos de pesquisa; sites “comprometidos”, afetados pelos hackers; contaminação do JavaScript para fugir de antivírus; métodos de ocultação de dados, que ganham sofisticação; “vishing” e spam por voz irão se juntar e aumentar os riscos cibernéticos.

Leão perdeu
O escritório C.Martins & Advogados Associados conquistou na Justiça o cancelamento de lançamentos tributários feitos pelo fisco. Segundo os advogados, o 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda acolheu recurso em que sustentaram que o fato de a sociedade de serviços advocatícios estar sujeita ao regime de lucro presumido impede a aplicação de sanção por omissão de receita, já que os valores não apresentam qualquer relevância para o resultado final de determinação da base de cálculo dos tributos. Além disso, os valores que a Receita Federal no Rio de Janeiro reputava como receita da sociedade eram, na verdade, fruto de rateio de despesa entre duas pessoas jurídicas distintas.

Esmola
A professora Maria Thereza Menezes, chefe do departamento de Serviço Social da UFF, lança no próximo dia 19, na livraria Argumento, o livro Economia Solidaria, pela Editora Gramma. O livro examina, por um ângulo crítico, as relações entre as propostas e práticas da chamada economia solidária (microcrédito, cooperativas de trabalho, mercados de trocas, microempreendedorismo etc.), a emergência, a expansão e os suportes políticos e ideológicos do terceiro setor no Brasil e o papel dessas práticas, supostamente alternativas ao capitalismo, na sustentação da pobreza no circuito da financeirização do capital.

Surfista
Um dos políticos mais impopulares da Rússia por sua contribuição para a implosão da União Soviética, Mikhail Gorbachev tem feito alguns movimentos na direção do governo Vladimir Putin. Ao cumprir de evento nos Estados Unidos, Gorbachev defendeu o processo eleitoral russo, criticado por governantes ocidentais: “Qual o motivo dessa reação? É a tentativa de deter o processo do renascimento e fortalecimento da Rússia. É por isso que eles não sabem como proceder com a Rússia. Eles fizeram muito nos últimos dez a 15 anos, e fizeram isso partindo da sua fraqueza. E agora neles surgiu o medo de que surge diante dos seus olhos uma Rússia que promete ser um concorrente forte.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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