Virada de semestre sempre complicada

Agenda da semana é pesada e pode influir no comportamento dos mercados com volatilidade.

Opinião do Analista / 09:53 - 30 de jun de 2020

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Ontem, o dia terminou positivo para os mercados da Europa, EUA e também na Bovespa; apesar do noticiário não tão positivo e de dados anunciados aqui. O fluxo de recursos canalizado para mercados de risco fez a diferença e a Bovespa encerrou com alta de 2,03% e índice em 95.735 pontos, o Dow Jones com +2,32% e Nasdaq com +1,20%. O dólar por aqui fechou com queda de 0,93% e moeda cotada a R$ 5,41.

Hoje, os mercados seguem afetados pela virada do semestre que é sempre um pouco mais complicada por conta de fechamento de balanços e, também por dados conflitantes anunciados na China. As Bolsas da Ásia terminaram o dia no campo positivo absorvendo alta forte do mercado americano ontem, Europa começou o dia no positivo, passou para negativo e retornando ao positivo; e futuros do mercado americano operando em leve queda nesse início de manhã.

Aqui estamos no meio do caminho entre perder a sustentação na casa dos 90 mil pontos e dar maior consistência caso consiga ultrapassar faixa de 98 mil/99 mil pontos. A expansão ou não da contaminação pela Covid-19 será determinante.

Durante a madrugada foram apresentados dados conflitantes na China. O PMI da atividade industrial subiu para 50,9 pontos e o de serviços para 54,4 pontos (maior em sete meses), mostrando expansão, mas também aprovaram lei de segurança nacional para Hong Kong trazendo mal-estar internacional. O efeito imediato disso foi que os EUA anunciaram a revogação de status especial e encerrou exportações de equipamentos de defesa e tecnologia para Hong Kong.

No Reino Unido, o PIB o primeiro trimestre mostrou encolhimento de 2,2% e na Espanha o PIB também encolheu 5,2%. Na Zona do Euro, a inflação medida pelo CPI de junho subiu anualizada para 0,3% (anterior em 0,1%), mas ainda está muito distante da meta ao redor de 2%. Nos EUA, o diretor do Conselho de Economia, Larry Kudlow, segue reforçando que o crescimento americano será na forma de "V" enquanto o BIS (BC dos BCs) acredita que a recuperação do mundo será na forma de "U". O presidente do Fed, Jerome Powell, também indica que a recuperação completa só acontecerá quando a confiança voltar.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 1,39%, com o barril cotado a US$ 39,15. O euro era transacionado em queda para US$ 1,121 e notes americanos com taxa de juros para os títulos de 10 anos de 0,64%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés positivo na Bolsa de Chicago.

Aqui, os bancos alertaram ao BC que o cronograma para implantação do PIX (pagamento instantâneo) em novembro está bem apertado. Já o MP está recorrendo ao STF contra a decisão de foro privilegiado para o senador Flávio Bolsonaro e a Câmara também pede que o STF determine nova votação das MPs 936 e 932, sobre jornada de trabalho e contribuição para o Sistema S, por parlamentares não concordarem.

A FGV divulgou que a confiança do segmento de serviços cresceu 1,2 pontos em junho para 71,7 pontos. No mercado, a expectativa é que a Bovespa possa tentar se manter em alta na virada do semestre, seguindo melhora dos mercados no exterior, dólar podendo subir e juros longos também em alta.

Mas repetimos que a agenda da semana é pesada e pode influir no comportamento dos mercados com volatilidade.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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