Viés de queda

Os exóticos critérios das agências de classificação de risco tornaram-se caso de polícia. Na Itália, agentes da divisão de delitos fiscais da polícia italiana vasculhou os escritórios da Standard & Poor”s (S&P) em Milão, interessados em documentos que justificassem as decisões da empresa, que, há poucos dias rebaixou os ratings da França e mais oito países, entre eles, a Itália, e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). A vistoria faz parte de uma investigação, iniciada há alguns meses pelo Departamento de Trani, no Sul do país, sobre a atuação da S&P.

Cortar pela raiz
A restrição à independência do Banco Central e a recusa a fazer cortes no orçamento que afetam os mais necessitados estão por trás dos ataques da alta cúpula financeira, capitaneada pela União Européia e pelo FMI, contra a Hungria. O governo conservador cristão do premier Viktor Orban tem defendido a volta de valores humanos e soberanos básicos, e tem sido apoiado pela população: nas recentes eleições parlamentares, o partido Fidesz, de Orban, obteve dois terços dos votos.
Frente a isso, a infantaria do sistema financeiro – as agências de rating Moody”s, Fitch e Standard & Poor”s – rebaixaram os títulos da dívida do país ao nível de “lixo” (junk), no início deste mês. Foram seguidas por admoestações do comissário monetário europeu, Ollie Rehn, que ameaçou Budapeste com um pacote de sanções, se o governo de Orban não aceitar o “plano de estabilidade” imposto pela UE, que inclui a redução do déficit orçamentário (atualmente, 3,8% do PIB) e a “garantia da independência” do BC. Caso contrário, a UE ameaça suspender as transferências anuais à Hungria, no montante de 2 bilhões de euros.
Em paralelo, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, relata o boletim Resenha Estratégica, disse que nenhum crédito emergencial do fundo será concedido ao país, a menos que o governo aceite tais exigências.

David Coperfield
Se fosse utilizada hoje a mesma metodologia aplicada para calcular a taxa de desemprego antes de 1994 – a partir de então foram sendo introduzidas mudanças nas estatísticas oficiais – o verdadeiro percentual de desempregados nos Estados Unidos seria de 22,2%. Atualmente, alguém que está desempregado há mais de um ano some dos números do governo norte-americano.

“Make up”
No cálculo da taxa de desemprego, os Estados Unidos expurgam, por exemplo, os presidiário da população economicamente ativa (PEA). O país tem cerca de 2,8 milhões de presos, pouco menos de 1% da população estadunidense de 313 milhões e cerca de dez vezes o efetivo do Exército brasil (235 mil homens).

Grande Guantánamo
Com a crise e a seletiva  política de criminalização dos Estados Unidos, a população carcerária daquele país cresce de forma geométrica em percentuais muito superiores ao conjunto da população. Entre 1995 e 2005, a população estadunidense avançou 12% (1,2% ao ano), enquanto o número de presos do país deu um salto de 103,4% (10,3% ao ano). Segundo estatísticas de grupos que monitoram o sistema penitenciário, um em cada 37 pessoas já esteve preso pelo menos uma vez naquele país.

Paredão cívico
A Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex), o Fórum Nacional pela Democratização na Comunicação (FNDC)  e a Rede Mulher e Mídia organizam, nesta sexta-feira, às 12h, protesto contra a sede da TV Globo São Paulo, na Avenida Dr. Chucri Zaidan esquina com Avenida. Roberto Marinho, pela atuação da emissora no suposto caso de estupro na versão atual do BBB. Além de responsabilizar a Globo por “ocultação de fato que pode constituir crime”, os organizadores apontam os anunciantes do programa – OMO, Niely, Devassa, Guaraná Antarctica e FIAT – como co-responsáveis.

O explosivo
Se o homem é o estilo, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), expôs como poucos sua alma ao sancionar medida radical aprovada pela Assembléia Legislativa do Rio contra os bueiros-bomba com que a Light e a CEG ameaçam os que circulam pelas ruas da capital: proibiu os motoristas de estacionarem sobre os bueiros. O próximo passo, talvez, seja multar os pedestres que danifiquem os bueiros com os quais se choquem.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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