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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Viva o sonho

Os franceses estão comprando menos vinho – em quantidade – mas aumenta o consumo dos produtos mais caros. Elodie Le Dréan, responsável pelo Departamento de Vinho de Sud de France, concorda que os mais abastados perderam menos com a crise econômica. Mas vê uma razão mais psicológica pela preferência pelo produto de maior valor. Em um momento de crise, as pessoas desejam manter o status, ou pelo menos afagar o próprio ego e consumir um vinho mais caro. Na França, nos últimos dez anos, o consumo de vinhos caiu quase pela metade.

Terra do sol
A especialista francesa em vinhos está no Brasil para promover a região do Sul da França, especialmente a localidade de Languedoc. Ela revelou a esta coluna que está nos planos a abertura de um escritório de promoção em nosso país até 2013, provavelmente em São Paulo. A Sud de France Export tem instalações em Londres, Nova York e Xangai.
Na China, a venda de vinhos de Languedoc cresceu 60% de 2009 para 2010. Se mantiver este ritmo, empata ainda em 2011 com o Canadá como principal destino dos vinhos da localidade fora da Europa e se aproxima do líder no continente, a Alemanha.
O crescimento das vendas no Brasil é ainda mais impressionante em termos percentuais (143% de 2009 para 2010), mas o valor – 309 mil euros – representa cerca de 3% do consumo chinês. Na Europa, as exportações de vinho de Languedoc vêm caindo – ou desabando, como no caso da Suécia, queda de 34%.
O objetivo da comitiva do Sul da França é divulgar a qualidade de seus vinhos a partir dos predicados da região, como as paisagens, o patrimônio histórico e a variada cozinha, explica Elodie Le Dréan.

Parcialidades
A concessão do Nobel de Economia pelo ortodoxo Banco Central da Suécia – que, de forma oportunista, se apropriou da grife da Fundação Nobel – aos estadunidenses Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims não surpreendeu apenas aos que vivem no planeta Terra. Até o ortodoxo Financial Times expressou sua surpresa, classificando a decisão de “corajosa”, por premiar pesquisadores cujos trabalhos são vistos por muitos como “parcialmente responsável pela crise financeira”. Tirando a modéstia do FT, ao classificar como “parcialmente responsáveis”, não somente Sargente e Sims isoladamente, mas a corrente à qual estão filiados, o ato do BC sueco está muito mais para afronta à realidade e às vítimas da crise do que para coragem.

Anticientífico
O fato de que, apesar do retumbante fracasso, do qual a crise iniciada em 2008 é o exemplo mais emblemático, tais teorias continuem a usadas pela militância dos bancos centrais, em vez de meritória, serve de alerta e desqualificação. Afinal, não existe nada mais anticientífico do que o dogmatismo. E poucas coisas são tão deletérias, principalmente, quando afetam o destino de bilhões de pessoas, do que a insistência em práticas e teorias já revogadas pelo choque da realidade.

Primavera do ONS
Os funcionários do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiram paralisar o trabalho entre meia-noite e meio-dia da próxima segunda-feira. Eles reivindicam um plano de cargos e salários, aumento real, manutenção dos direitos do atual acordo coletivo e (intrigante) retirada das empresas distribuidoras da Pesquisa de Mercado Salarial.

Choque
Os trabalhadores da Eletrobrás prometem realizar uma manifestação nesta quinta-feira contra 40 assessores e outros “aspones” que, segundo as entidades sindicais que organizam o ato, infestam a estatal. O protesto será na porta do edifício Hermes Stoltz, a partir das 12h30.

“Planície” carioca
Tempos de Planície, livro que reúne 73 artigos publicados de 2006 a 2010 pelo ex-ministro José Dirceu, será lançado no Rio na próxima segunda, dia 17, no Teatro Oi Casagrande (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon), a partir das 18h30. Dirceu colabora com o MONITOR MERCANTIL desde março de 2011.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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