Volatilidade e risco fiscal de volta

Em editorial nesta segunda-feira, a equipe da XP Investimentos acena para volatilidade e risco fiscal de volta. “Tem sido assim no Brasil. Quando parece que teremos alguns meses de calmaria, uma nova onda de incertezas traz de volta a volatilidade – e os prêmios de risco – aos mercados”, citou o texto.

A corretora lembra que desde abril, os ativos brasileiros vinham melhorando, reduzindo a defasagem frente aos pares. “A recuperação da economia se mantém sólida e a melhora na arrecadação de impostos alivia o risco fiscal de curto prazo. A inflação preocupa, mas o BC reage de forma firme e independente”, acredita a XP.

Entretanto, a combinação de turbulências políticas com o envio da polêmica proposta de reforma tributária do imposto de renda ao Congresso reverteu parte da melhora recente dos ativos brasileiros.

Fatores externos também contribuíram com o aumento da volatilidade dos mercados. A variante Delta do Coronavírus vem se espalhando, o impasse na Opep elevou ainda mais o preço do petróleo e os dados recentes mostram a economia chinesa em desaceleração.

“Em nossa visão, a maior parte desses fatores domésticos e externos tendem a ser temporários. Ademais, os principais bancos centrais do mundo devem manter a política monetária expansionista, mesmo com as inflações mais pressionadas no curto prazo”.

“Mantemos nossa projeção de taxa de câmbio em 4,9 reais por dólar ao final deste ano. Elevamos a projeção de crescimento de 5,2% para 5,5% este ano, e de 2,0% para 2,3% em 2022 por conta dos números recentes mais fortes e pela perspectiva de aceleração da atividade do setor de serviços com a aceleração da vacinação”.

Conforme os analistas, serviços mais fortes também pressionam a inflação no segundo semestre. Revisamos a projeção de IPCA deste ano de 6,4% para 6,6%.

“Na política monetária, acreditamos que o Copom vai acelerar o ritmo de alta de juros para 1pp na sua reunião de agosto, e encerrar o ciclo em 6,75%”, disseram.

Na opinião dos analistas da XP, a incerteza maior parece vir do lado político, com o avanço das investigações da CPI e a proximidade do calendário eleitoral. Neste ambiente, pode haver excesso na expansão fiscal, tanto na calibragem final da reforma tributária como do novo (e mais amplo) programa Bolsa Família. “Se isso acontecer, a Selic terminal tende a ser maior, ajustando o mix de política econômica”.

Leia também:

Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 6,31%

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