Volks abriu a porteira

A Volkswagen confessou que não só colaborou com a ditadura militar, inclusive financeiramente, mas o fez de forma ativa, perseguindo trabalhadores, produzindo informações para a repressão e, mais grave de tudo, permitindo tortura na sede da montadora. A confissão vem na esteira da informação de que um criminoso de guerra e membro do regime nazista, Franz Stangl, foi funcionário da Volks entre 1959 e 1967. Ele foi responsável por montar um setor de espionagem na fábrica de São Bernardo do Campo. A revelação foi feita pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014. A montadora alegou não ter conhecimento do passado nazista de seu empregado. Stangl, ex-chefe de dois campos de extermínio na Polônia, apesar de ser procurado internacionalmente, nem sequer alterou seu nome ao chegar ao Brasil, em 1951.

A ligação com o nazismo está no berço da montadora alemã. Em 28 de maio de 1937, o governo de Adolf Hitler fundou a automobilística estatal Gesellschaft zur Vorbereitung des Deutschen Volkswagens mbH. (Companhia para a Preparação dos Carros do Povo Alemão), nome simplificado para Volkswagenwerk (Companhia do Carro do Povo). Agora, a montadora reconhece sua participação na ditadura, após ação proposta pelo Ministério Público. Mas e o que fará para reparar seus erros? Para indenizar os empregados afetados? Pelo que foi dito pela empresa nesta quinta, apoiar projetos sociais. Ou seja, conseguir um desconto no Imposto de Renda e engordar seu portfólio de ações de responsabilidade social. É preciso mais, e os trabalhadores, que se negaram a participar da cerimônia de mea-culpa, cobram isso.

É preciso mais também das outras multinacionais que colaboraram com o regime de 1964. Também estiveram na linha de frente algumas empresas nacionais e entidades, como associações comerciais e federações da indústria. E ainda a imprensa. O relatório final da CNV aponta que o Grupo Folha, dono da Folha de S.Paulo, forneceu veículos para a Operação Bandeirante, a Oban. Já passou da hora de essas empresas e entidades fazerem o que a Volks, ainda que obrigada, acaba de fazer: uma apuração séria e isenta do grau de cumplicidade com a ditadura; reconhecer seus crimes, se for o caso; e pagar por eles.

 

Terrorismo de Estado

Desde 1801, os Estados Unidos já intervieram militarmente mais de duas mil vezes; desde 1945, mataram mais de 20 milhões de pessoas em mais de 47 países. “Os EUA são um grande problema, tal como Israel. São as duas grandes fontes de guerras. A razão por que hoje temos terrorismo é, em grande parte, uma resposta à violência dos EUA e Israel”, fuzila o norueguês Johan Galtung, fundador da disciplina de Estudos da Paz, em entrevista ao jornal português Público.

É verdade que não temos guerras entre Estados, elas quase desapareceram. Agora temos outro fenômeno, a que chamo terrorismo de Estado, e que é largar bombas em cima da população civil. Em relação ao outro terrorismo, é 99 para 1. As pessoas ou andam a dormir ou fizeram-lhes uma lavagem cerebral”, afirma, concluindo que só três países estão dispostos a fazer o trabalho por Washington: Reino Unido, Dinamarca e Noruega.

 

Bola fora

Ciro Gomes, que almeja ser candidato de centro-esquerda na eleição presidencial do ano que vem, pisou na bola ao declarar, sobre o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), marcado para o dia 24 de janeiro, que “não se pode inverter as coisas” e “justiça boa é ustiça rápida”.

Justiça boa é aquela que é igualitária. Casuísmo não rima com justiça – nem com apoio nas eleições.

 

Rápidas

O coral da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) realizará três apresentações neste fim de ano. A primeira ocorre nesta sexta-feira, a partir das 17h40, na estação Sé do Metrô, com músicas natalinas *** O Américas Shopping recebe, até domingo, apresentações musicais e de dança *** No dia 20, a partir das 17h, a relações públicas Erika Pessôa e o jornalista Alysson Lisboa ministram o curso Comunicação Estratégica para Mídias Sociais, no Rio. Inscrições em www.alyssonlisboa.com.br *** Entra em operação dia 21 a primeira linha de transmissão de energia de Belo Monte. Com 2.076km de extensão, sai do Pará em Xingu e chegando a Minas Gerais em Estreito, passando por 66 municípios. O investimento somou R$ 5 bilhões. O controle da empresa de transmissão é da chinesa State Grid.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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