Volta às trevas

A Aneel calcula que a privatização da Eletrobras poderá elevar as tarifas de energia elétrica em até 16,7%....

A Aneel calcula que a privatização da Eletrobras poderá elevar as tarifas de energia elétrica em até 16,7%. Não se trata de otimismo; são cálculos chapa-branca. Analistas preveem uma elevação final ao consumidor bem maior. Hoje, a estatal é obrigada a vender a energia que gera por menos de US$ 10/MWh. No mercado, esse valor pode chegar a 20 vezes mais. Mas não é o argumento econômico, ainda que os números sejam espantosos, o mais grave na proposta do Governo Temer. É a perda de controle no setor, que significa, em resumo, perda de soberania.

Getúlio Vargas propôs a criação da Eletrobras, em 1954, após buscar conciliar diferentes tendências políticas, ideológicas e econômicas na tentativa de assegurar novas bases para o desenvolvimento industrial. A Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (CMBEU) avaliou projetos de energia elétrica programados por empresas públicas como a Chesf e a Cemig. A Comissão, porém, suspendeu seus trabalhos em dezembro de 1953 por decisão do governo norte-americano. O rompimento das negociações para o financiamento dos projetos recomendados pela CMBEU contribuiu para a radicalização do discurso nacionalista de Vargas, mostra o Cpdoc da FGV. No final de 1953, o presidente denunciou as excessivas remessas de lucros das companhias estrangeiras e o obsoletismo do regime de concessões, acusando indiretamente a Light (canadense) e a Amforp (norte-americana) pelo atraso industrial do país.

As duas multinacionais mobilizaram seus lobistas na imprensa e nos partidos políticos e moveram intensa campanha contra o projeto. O cerco ao governo, todos sabem, levou Getúlio ao ato extremo. Na Carta Testamento, o presidente cita especificamente a Eletrobras. A estatal foi efetivamente criada em 1962, e de lá para cá o Brasil pulou de geração de 5.000 MW para mais de 100.000 MW. Romper com este quadro signifca voltar ao passado e às trevas – literalmente e figurativamente.

 

Búzios

A recuperação da economia brasileira deve ser sentida já neste ano, aposta o economista do mercado financeiro Octavio de Barros. “Tudo indica que o PIB do país terá um leve crescimento já em 2018, de 2% aproximadamente, recuperando-se da estagnação em 2017 e de quedas em 2016 e 2015, de cerca de 3,5%”, prognosticou no evento Panalpina Experience – Economy Trends (apesar do nome, foi realizado em São Paulo, mesmo).

O que o mesmo Octavio de Barros esperava, em meados do ano passado, para a economia brasileira em 2017? Alta de 1,5% (no início do ano previra 1,3%, ou seja, elevou a aposta com base na mudança de governo e da austeridade prometida, que traria o paraíso).

 

Rápidas

Foi falar em privatização da Eletrobras para reaparecer David Zylbersztajn, que comandou a venda de várias elétricas paulistas, antes de dirigir a ANP. Ele fará palestra na FGV Energia, dia 31 próximo, dentro da série Energia em Foco – Estratégia e Desafios para o Futuro. Inscrições: http://www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=3446&P_IDIOMA=0 *** O presidente da ABRH-RJ, Paulo Sardinha, recebe, nesta segunda-feira, na Câmara Municipal do Rio, a medalha Pedro Ernesto.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Indústria naval apresenta propostas para eleições 2022

Setor quer deixar para trás maré ruim dos últimos 7 anos

Brics+ será gigante em alimentos e energia

Bloco ampliado desafia EUA rumo a nova ordem mundial.

Para combater Putin, adeus livre mercado

Teto para preço do petróleo é nova sanção desesperada do G7.

Últimas Notícias

Ford Brasil: Centro global de exportação de serviços de engenharia

Projetos de ponta voltados ao futuro da mobilidade, como veículos elétricos, autônomos e conectados. 

Senado vai analisar vetos na Lei Aldir Blanc

Existe uma fila de 36 vetos aguardando votação dos senadores e deputados

Caixa: desconto de até 44% para regularizar penhor em atraso

As unidades com serviço de penhor disponível podem ser consultadas no site da Caixa

Índice de Preços ao Produtor (IPP) sobe 1,83% em maio

Das 24 atividades analisadas, 21 tiveram alta de preços

Acqio inclui transações via Pix em suas soluções de pagamento

Em abril os pagamentos feitos via Pix atingiram a marca histórica de 11,5%, no comércio eletrônico