Volta à República Velha

A arrecadação tributária recorde obtida entre janeiro e agosto, 12,59% superior ao mesmo período do ano passado, teve nos tributos vinculados às importações sua melhor performance. Para o economista Miguel Bruno, do Ipea, o fato remonta ao período em que o Brasil era exclusivamente agroexportador: “Durante o ciclo do café, os impostos sobre produtos importados seguravam a arrecadação”, comparou.

Corrupção
Tucanos travestidos de comentaristas de mídia têm debitado à apatia do eleitorado a falta de reação de José Serra nas pesquisas eleitorais depois da cruzada udenista contra o bunker petista. Sua ilação, amargurada, é que eleitores, principalmente os mais desfavorecidos economicamente, seriam lenientes em relação a denúncias de corrupção.
Ao projetarem nos mais pobres sua própria visão de vida, escusam-se de examinar suas limitações políticas e morais. Diferentemente dos que costumam locupletar-se com o erário, o eleitorado brasileiro, em sua maioria, não é cúmplice da corrupção. Apenas não enxerga autoridade moral nos que, em passado recente, cometiam atos semelhantes aos que, agora, denunciam.
E, principalmente, na simplicidade da sua sabedoria, ao fazerem suas escolhas sobre o futuro do país, priorizam os aspectos mais essenciais para suas vidas, ainda que, não raro, isso implique opções que, sob essa ótica, sejam um mal menor. Quem achar que isso significa autorização para roubar, entende mais de roubo do que da indignação popular.

Eldorado
Mesmo quando as economias globais estiveram em contração por conta da crise financeira em 2009, o acesso ao financiamento formal nos países em desenvolvimento cresceu. Estima-se que 2,7 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a serviços financeiros formais. Mas o quadro de inclusão financeira está mudando, é o que descobre um novo relatório do CGAP e do Grupo Banco Mundial.
O Financial Access 2010, realizada em mais de 140 países, cobriu o turbulento período entre 2008 e 2009. O número de contas bancárias em todo o mundo cresceu mesmo quando o volume de crédito e de contas de depósito caiu. Sessenta e cinco contas de depósito foram acrescidas a cada 1.000 adultos em 2009, representando um crescimento médio de 4,3%. A utilização de serviços de crédito ficou praticamente estável entre 2008 e 2009.

Crescimento
O estudo também apresenta os primeiros dados comparativos globais sobre empréstimos concedidos às pequenas e médias empresas (PME), estimado em US$ 10 trilhões em 2009. O relatório também mostra tendências promissoras, inclusive a expansão da infra-estrutura de varejo e uso de novas tecnologias para oferecer serviços financeiros de baixo custo. Em todo o mundo, uma agência bancária, cinco caixas eletrônicos e 167 terminais de ponto-de-venda foram adicionados por 100 mil adultos em 2009.

Concorrência na Copa
De olho na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, a Comissão de Comércio Internacional da OAB-RJ realiza nesta sexta-feira um debate sobre o direito da concorrência nesses grandes eventos. Com participação da Secretária de Direito Econômico, Mariana Tavares de Araújo, o evento será realizado na sede da OAB-RJ. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (21) 2272-2053/2054 ou pelo e-mail [email protected]

Primário
Luiz Carlos Mendonça de Barros inovou a teoria – e a prática – econômica: garantiu ele, em sua coluna em uma rádio, que hoje em dia exportar commodities vale mais que vender ao exterior produtos industrializados. Deveria prestar mais atenção a um certo país asiático, que compra produtos primários do Brasil e se entope de dólares vendendo itens industrializados, garantindo um crescimento próximo a dois dígitos há 20 anos.

Causa própria
O prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, mudou de idéia e não mais acredita que a valorização do câmbio seja um problema para a economia do Brasil. Perguntado sobre o que o fez mudar de opinião, ele respondeu com certa ironia: “É que naquela época eu não estava suficientemente pessimista sobre a economia mundial como estou hoje”. Talvez o norte-americano queira que seu país, como diria o ministro Mantega, saia da crise à custa do Brasil.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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