Volume de captações das companhias brasileiras cresce 139%

Mercado Financeiro, Mercado Financeiro / 17:07 - 10 de abr de 2017

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As companhias brasileiras captaram no primeiro trimestre deste ano volume 139% maior do que no mesmo período de 2016, somando R$ 52,2 bilhões. Dados do boletim de Mercado de Capitais da Associação das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), divulgado nesta segunda-feira, apontam recuperação e indicam que o volume de ofertas é o maior para o período desde 2014. No trimestre, as captações externas foram responsáveis por quase R$ 31,6 bilhões do total, influenciadas pela valorização do dólar. Destaque também à retomada das ofertas com ações, que chegaram a R$ 8 bilhões, com crescimento de 150,7% na comparação ao ano passado. “A representatividade do mercado externo no período se deve ao maior apetite dos investidores estrangeiros por ativos de países emergentes e pela janela de oportunidade que se abriu com a redução das métricas de risco Brasil”, afirma José Eduardo Laloni, diretor da Anbima. Em março, o Tesouro liderou as ofertas, emitindo US$ 1 bilhão em bonds, seguido por Marfrig, Suzano e Globo Comunicações e Participações, que acessaram o mercado internacional com títulos de dívida com volumes de US$ 750 milhões, US$ 300 milhões e US$ 200 milhões, respectivamente. No mercado doméstico não foram registradas ofertas de ações no terceiro mês do ano, entretanto o total de R$ 8 bilhões acumulado em janeiro e fevereiro de 2017 corresponde a 74,5% do montante captado com ações em todo o ano de 2016. “O cenário atual de queda de juros influenciou este resultado, o melhor dos últimos sete anos, o que reforça as expectativas de que as operações do mercado de capitais sejam retomadas durante o ano”, completa Laloni. O segmento de renda fixa somou R$ 2,5 bilhões em emissões em março, liderado pelas ofertas de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que movimentaram R$ 1,2 bilhão com cinco operações no mês. Esses papéis apresentaram a maior participação entre os produtos de securitização, com 46,3% do volume do primeiro trimestre do ano. As captações com títulos de dívida e instrumentos de securitização chegam a R$ 12,6 bilhões nos primeiros três meses dede 2017, montante próximo aos R$ 13,2 bilhões captados no mesmo período de 2016. Destaque entre os ativos no trimestre, as captações com debêntures levantaram R$ 8 bilhões, sendo que, deste valor, R$ 633 milhões foram em debêntures incentivadas de infraestrutura. Fundos A indústria brasileira de fundos de investimentos registrou no início deste ano o maior ingresso líquido acumulado para um primeiro trimestre (série histórica iniciada em 2002), com volume de R$ 108,6 bilhões. O boletim do setor informa que a captação de março, de R$ 45 bilhões, foi a maior para o mês, e somada às de janeiro (R$ 41,1 bilhões) e de fevereiro (R$ 22,5 bilhões), contribuiu para o recorde do período. Considerando os últimos 12 meses, o valor apurado também foi recorde da série histórica da Anbima: o volume atingido chegou a 196,1 bilhões. Com este montante, o patrimônio líquido da indústria alcançou R$ 3,7 trilhões. Entre as classes de fundos, Renda Fixa manteve a liderança na captação líquida nos primeiros três meses do ano, com R$ 74,2 bilhões, seguida pelos Multimercados, com R$ 20,2 bilhões, e pela Previdência, com R$ 10 bilhões. O resultado foi influenciado pelos volumes do mês de março: R$ 24,4 bilhões para Renda Fixa, R$ 9 bilhões para Multimercados e R$ 4,5 bilhões para Previdência. “Com as perspectivas mais otimistas para o cenário econômico e a previsão de redução na taxa de juros, há tendência de que os fundos multimercados e de ações se tornem mais atrativos ao longo do ano, reequilibrando o fluxo de investimentos”, afirma Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima. Em relação à rentabilidade, os ativos de renda fixa apresentaram em março retornos inferiores aos registrados em fevereiro: a valorização no IMA-Geral no mês foi de 1,22% contra 2,26% no período anterior. No mercado de renda variável, fundos do tipo Investimento no Exterior marcaram alta de 0,27%, enquanto todos os outros tipos da classe ações apresentaram retornos negativos, refletindo o desempenho do Ibovespa, que teve recuo de 2,52% em março. O tipo Multimercados Macro registrou a maior rentabilidade da indústria entre os fundos com patrimônio líquido relevante, acumulando 5,88% no ano, resultado que se deve também à rentabilidade de 1,27% em março. IPOs e “Follow on” A Anbima estima que duas operações de abertura de capital e outra operação de “follow on” – quando a empresa faz emissão de ações mas já tem o capital aberto – deverão trazer agitação para o mercado de capital brasileiro neste segundo trimestre do ano. Segundo José Eduardo Laloni, são esperadas emissões iniciais de ações da Azul, que deve ocorrer ainda nessa semana, e da Log. “Além disso, a Alupar tem uma emissão de ‘follow on’ em andamento. Está sendo um começo de ano mais animado em relação ao mercado de renda variável”, disse o diretor. Laloni destaca que os cortes da Selic (taxa básica de juros), com a perspectiva de uma taxa básica de juros menor do que dois dígitos no final do ano, bem como a inflação mais controlada devem estimular o mercado de renda variável no ano. “O ambiente melhorou, a queda de juros e a inflação controlada são motivos que levaram o primeiro trimestre a ter um desempenho melhor no mercado de emissões. E nos próximos trimestres vamos ver o mercado crescer mais em volume e em número de emissões”, comentou o executivo. Previdência O início das negociações entre representantes do governo e os deputados da Câmara com relação à reforma da Previdência não retirou o otimismo da sua aprovação por parte do mercado, afirma o diretor. “A gente está muito confiante na aprovação da reforma da Previdência. Existe preocupação, mas o mercado está confiante, estamos agora no meio de uma negociação e será movimentado até maio ou junho”, disse Laloni. O executivo espera aprovação da reforma, mesmo com alterações, até o final do segundo trimestre ou meio do terceiro trimestre.

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