Voz do dono

Não é aceitável que segmentos da mídia nacional se esforcem tanto em apurar os procedimentos do delegado de Polícia Federal Protógenes Queiroz sem dedicar, ao menos, igual esforço para a apuração dos fatos principais da Operação Satiagraha, envolvendo o empresário Daniel Dantas. O protesto foi feito pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que quer saber se jornalistas da revista Veja tiveram acesso ao material apreendido pela PF para investigar os procedimentos de Protógenes durante a Operação Satiagraha, o que significaria violação do segredo de justiça.

Ação e reação
A nota dos delegados da PF diz ainda que a matéria publicada pela revista coincide com a apresentação do relatório da CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas e tem como objetivo forçar uma prorrogação da comissão e também de fazer indiciamentos até então não propostos no relatório final.

E, agora, Lula?
A queda do 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), no quatro trimestre de 2008, em relação aos três meses anteriores, não é somente fruto da repercussão da crise exterior no Brasil. Na verdade, a forma dramática como ela foi importada reflete as opções de política econômica das duas últimas décadas. A falência dos incensados fundamentos do modelo que agora vem abaixo – desvio de gastos públicos para cevar rentistas e especuladores, modelo exportador baseado em commodities, desindustrialização acentuada, parcos investimentos em ciência e tecnologia e opção por financiar as contas externas do país pelo capital especulativo – adverte que apenas uma mudança estrutural permitirá ao país enfrentar a pior crise desde a Depressão de 30.
Por isso, embora algumas das medidas do Governo Lula sejam corretas, como a redução do compulsório bancário, limitam-se a pequenas correções de rumo, insuficientes para impedir que o Brasil marche para o abismo da recessão, destino a que serão levados os brasileiros, a menos que o presidente decida-se a romper com dois dos principais fundamentos do desastre anunciado: a política de aperto fiscal, apelidada de superávit primário pelos economistas, e a política de juros astronômicos. Fora disso, é tirar água do navio com os rasos baldes da oferta de pequenas doses de crédito a uma sociedade que tem seu aparelho produtivo esterilizado pela especulação financeira com patrocínio chapa branca.

Inclusão
O Dia Internacional da Mulher ainda rende, e nesta quarta a ABBR e o clube Fluminense realizam o encontro “Mulher, saúde e inclusão social”. Será no salão nobre das Laranjeiras (R. Álvaro Chaves, 41), onde haverá palestras, atendimento à população, com corte de cabelo, manicure e pedicure, aferição de pressão, orientação postural e atendimento geral à população que será realizado por assistentes sociais.

Ligações
A confirmação de informações como a ligação do conselheiro José Nader, do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), com um dos sócios da empresa SIM – Instituto de Gestão Fiscal, Sinval Drummond de Andrade, e o recebimento de propina por parte dos conselheiros do TCE para a aprovação de contas de municípios do interior fluminense marcou, na segunda-feira, o depoimento do advogado Marcelo Abdalla à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio criada para investigar conselheiros do tribunal.
Abdalla, ex-consultor jurídico da empresa SIM, passou a colaborar com a Justiça logo após ter ratificado sua participação no crime com a falsificação de documentos. Ele falou com os deputados no escritório de seu advogado em Belo Horizonte, capital mineira. As informações são da presidente da CPI, deputada Cidinha Campos (PDT).

Hegemonia em xeque
Sindicato dos Professores do Rio (Sinpro-Rio) promove, no próximo dia 25, às 18h, o “Fórum América: EUA – Eleições, crise e poder hegemônico”. O evento será na sede do Sinpro-RJ, na Rua Pedro Lessa 35/3º andar, no Centro.

Tribunais
A eleição para o Conselho Deliberativo da Fapes, fundação de previdência privada do BNDES, deve parar na justiça. Uma das chapas inscritas foi impugnada e planeja entrar com uma ação cautelar para suspender o processo eleitoral e anular a impugnação.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorSem órbita
Próximo artigoSem discriminação

Artigos Relacionados

Falta de servidores traz prejuízo, inclusive financeiro

Fila de segurados no INSS vai engrossar precatórios em R$ 11 bilhões.

Desmonte do Estado se dá pelas beiradas

Miçangas e espelhos empurram reformas administrativas nos municípios.

O que vale pros precatórios vale pra dívida interna?

Se calotes são defensáveis, poderiam ser estendidos para os títulos públicos.

Últimas Notícias

Distribuição comercial: quais cláusulas e condições mais importantes?

Por Marina Rossit Timm e Letícia Fontes Lage.

Mercado corre do risco em momento de estresse

Se tem uma coisa que o mercado é previsível é com relação ao seu comportamento em momentos de estresse é aversão ao risco. “Nessa...

Petrobras: mais prazo de inscrição no novo Marco Legal das Startups

Interessados em participar do primeiro edital da Petrobras baseado no novo Marco Legal das Startups (MSL) poderão inscrever-se até o dia 12 de dezembro....

Canal oficial para investidor pessoa física na B3

A partir desta sexta-feira, a nova área logada do investidor da B3, lançada em junho, passa a ser o canal que centraliza todas as...

Fitch Ratings atualiza metodologia de Rating de Seguros

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, publicou nesta sexta-feira relatório de atualização de sua Metodologia de Rating de Seguros. Segundo a agência,...