Várias Europas

Constituída sob a promessa de uma única Europa na qual haveria uma redução das desigualdades regionais, a União Européia (UE), que, ano passado, celebrou o décimo aniversário do euro, continua a conviver com fortes assimetrias, em várias áreas, como a salarial. Segundo dados do Eurostat  – o equivalente regional ao IBGE – o salário mínimo na UE varia de 123 euros (cerca de R$ 277) da Bulgária a 1.758 euros (R$ 4.395) em Luxemburgo, 1,4 vez superior ao primeiro.

Privataria petista
Com a privatização de três dos principais aeroportos brasileiros, a presidente Dilma repete vários paradigmas que marcaram as ruinosas privatizações tucanas. Apesar de o álibi oficial ser de que a privatização liberaria o Estado para investir em outros setores, a exemplo do tucanato, será o velho e bom BNDES que financiará os grupos privados, inclusive estrangeiros que vão abocanhar o setor. E, com 49% da participação societária, a Infraero responderá por, pelo menos metade dos investimentos, embora o poder decisório vá ser dos minoritários. Dilma também repete o tucanato ao abrir mão do controle nacional sobre um setor estratégico em qualquer país do mundo. Por último, mas não o último, com a privatização, o Brasil ingressa no grupo de países, que, ao transferirem o setor para monopólios privados, viram as tarifas dispararem, como mostra levantamento da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata). Em outras palavras, Dilma se prepara para inscrever seu governo no rol das privatarias.

Subsidiária
A desnacionalização da indústria e de boa parte dos serviços brasileiros – o mais recente lance foi nesta segunda-feira, com a privatização dos aeroportos – é um dos fatores que impulsionam a crescente importação de máquinas e sistemas prontos. Não só pelo real turbinado, mas também por políticas das matrizes das multinacionais, que normalmente optam por certificar poucos fornecedores para todas as suas subsidiárias, estejam onde estiverem. Somente a compra no exterior de equipamentos para geração, distribuição e transmissão de energia – produtos com tecnologia bem desenvolvida no Brasil – cresceram 56% ano passado.

Superetimado
Doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento (Escrituras), Adriano Benayon relativiza a euforia provocado pelo fato de o Brasil, ao ultrapassar o Reino Unido, ser considerado a sexta maior economia do mundo pelo critério Produto Interno Bruto (PIB). Para Benayon, na maioria dos países o PIB real é superestimado, para dar a impressão de que a economia vai bem: Entre os “vários truques” usados, segundo ele, destaca: a alteração da cesta de produtos que compõem os índices de inflação, e o respectivo peso; supor que toda modificação do PIB significa melhora técnica; quando da substituição, no consumo, de bem ou serviço de maior valor por outro de menor qualidade, devido a aumento de preço daquele, considerar que não houve elevação. Tudo isso, se contar o câmbio valorizado que anaboliza o PIB do país.

Distorções
Ele argumenta, porém, que o PIB registra a produção no país, sem desconsiderar, porém, quanto dessa riqueza pertence a residentes no exterior e a empresas estrangeiras: “Há muitíssimo tempo, o PIB se tornou quase irrelevante, em razão de ter sido a produção transnacionalizada, mormente no Brasil, onde isso é patológico”, destaca.
Benayon defende que, em lugar do PIB seja considerado o Produto Nacional Bruto (PNB), que ao deduzir do PIB a produção de residentes no exterior e empresas estrangeiras país e adicionado o que residentes no Brasil e empresas brasileiras auferem no exterior, daria uma idéia menos distorcida do resultado. O especialista observa que, no  Brasil, o PNB sempre foi subestimado, porque grande parte das empresas controladas de fora do país figura nas estatísticas com participação de capital estrangeiro inferior à real, por ser registrada em nome de “laranjas”.

Munição
Às voltas, desde dia 31, com a greve de parte da PM, o Governo da Bahia destinou, em 2011, R$ 1,2 bilhão ao serviço da dívida com a União, remunerada pelo IGP-DI mais 6% ao ano. Embora o piso da PM baiana, de cerca de R$ 2,3 mil, esteja longe de ser um dos piores das polícias militares, a Auditoria Cidadã da Dívida calcula que o valor gasto para pagar a dívida seria suficiente para mais do que dobrar os salários da categoria, de 31 mil servidores.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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