Vítimas da crise

Os conservadores e demofóbicos que tentam reduzir os impressionantes eventos das ruas da Inglaterra a mera ação criminal buscam ocultar informações bastante desconfortáveis para a política econômica dos Partidos Conservador e Trabalhista que se revezam no poder naquele país. Apenas no bairro de Tottenham, epicentro das explosão social em vigor, 36% dos jovens de 16 a 25 anos estão desempregados.

Contra-hegemonia
Com 3,6 em cada 10 jovens sem emprego nem perspectivas, o primeiro-ministro David Cameron optou pelo aprofundamento do torniquete social: cortou 75% dos projetos sociais destinados aos jovens de Tottenham. E, na semana anterior ao início das manifestações, oito dos 13  centros culturais voltados para jovens do bairro foram fechados: “Acho uma surpresa a forma como o governo britânico está encarando e analisando esses acontecimentos, transformando em bandidos, em vândalos, em predadores, milhares de jovens que estão se insurgindo contra a condição a que eles têm na sociedade inglesa. Precisamos ampliar essa análise para entender o que está acontecendo”, avaliou o sociólogo Silvio Caccia Bava, em entrevista a um canal a cabo tupiniquim, causando visível constrangimentos em entrevistadores imbuídos do discurso da higienização social.

Premonitório
Em 6 de junho, o analista D.K. Matai, escreveu, no sítio Market Oracle: “Há uma alta probabilidade de que uma significativa correção ocorra nos estreitamente correlacionados mercados de commodities e ativos, em algum momento no futuro próximo, antes de 2012. Se tal correção ocorrer, provavelmente, uma cascata de riscos de contrapartidas se manifestará nos mercados de derivativos OTC (over the counter, mercado de balcão), por causa da alavancagem excessiva. Uma vez que as novas regras para o mercado de US$ 600 trilhões dos derivativos OTC não estarão estabelecidas antes de 2012, temos de estar preparados para uma repetição de um fiasco do tipo Lehman Brothers-AIG, mas, desta vez, ele não se restringirá aos EUA e poderá ter dimensões internacionais, envolvendo outras potências importantes, como China, União Européia, Rússia, Índia e/ou Brasil. Se mais de um país for envolvido, até mesmo a poderosa Reserva Federal dos EUA não poderá sair em campo para resolver o problema por sua conta, como fez em 2008”, analisa.

Injeção
Um dia antes do alerta de Matai, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) afirmara que os 14 maiores operadores de derivativos poderiam necessitar de novas injeções de capital para manejar uma eventual alta súbita em transações de compensação, deflagrada pela percepção do risco de uma eventual inadimplência de um ou mais agentes envolvidos, segundo noticiou a agência Reuters. Atualmente, o fundo de compensação gerenciado pelo BIS cobre cerca de metade do mercado de US$ 400 trilhões em swaps de taxas de juros, 20% a 30% dos derivativos de commodities (US$ 2,5 trilhões) e 10% do mercado de credit default swaps (CDS) – papéis que servem de seguro para aplicações especulativas – estimado em US$ 30 trilhões.
A expectativa do BIS é estabelecer critérios padronizados e um fundo de compensação que possa cobrir a maior parte do mercado global de derivativos OTC até o fim de 2012, para “ampliar a transparência e coibir os riscos” deste explosivo mercado especulativo, informa o boletim eletrônico Resenha Estratégica.

Nem commodity escapa
O setor de couros exportou, em julho, 1,74 milhão de couros bovinos, a menor quantidade desde março de 2009, e 18% inferior a junho. Já o valor das exportações caiu para US$ 148,7 milhões, 11% menor do que o movimento do mês anterior. Nos primeiros sete meses do ano, a quantidade ainda está 1% acima da exportada no mesmo período de 2010, enquanto o valor das exportações, de US$ 1,2 bilhão, superou em 18% o do ano passado. A participação de couros acabados e semiterminados, de maior valor agregado, estabelece um recorde, com 65,7% do total exportado.

Decifra-me ou…
Estudo da FISCOSoft  com 424 empresas mostra que maioria dos contribuintes paga mais do que deve ou deixa de recolher ISS por desconhecer meandros que cercam esse tributo. Cada um dos 5.565 municípios brasileiros tem suas próprias regras. Segundo a pesquisa, 47% das empresas já pagaram o tributo com a alíquota errada, maior; e um terço recolheu o tributo em município errado. Só 25% das empresas usam informações e regras de um sistema atualizado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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