Washington tem toque de recolher após protestos perto da Casa Branca

'Não posso respirar', desde 2014, tornou-se grito de protesto em manifestações contra a truculência policial nos EUA.

Internacional / 15:08 - 1 de jun de 2020

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A prefeita de Washington, Muriel Bowser, anunciou no domingo à noite toque de recolher em toda a cidade em meio ao aumento das tensões entre os manifestantes e a polícia fora da Casa Branca por conta da morte de George Floyd sob custódia policial em Minneapolis. O recolher obrigatório foi determinado "das 23h do domingo, 31 de maio, até às 6h da segunda-feira, 1º de junho". Bowser também ativou a Guarda Nacional da cidade para apoiar a polícia local.

O domingo marcou o terceiro dia de uma série de protestos na capital americana pela morte de Floyd. Ainda que o conflito entre manifestantes e agentes da lei não tenha sido tão grave como em outras partes do país, o chefe da Polícia da cidade, Peter Newsham, revelou no domingo que o Departamento de Polícia Metropolitana deteve 17 pessoas na noite do sábado e que 11 policiais foram feridos durante os protestos.

Floyd, um cidadão negro de 46 anos, morreu em 25 de maio depois que Derek Chauvin, um policial branco, o imobilizou no chão com um joelho em seu pescoço, embora ele repetidamente implorasse: "não consigo respirar", e "por favor, eu não consigo respirar". Chauvin foi preso e acusado de homicídio triplamente qualificado e homicídio culposo na sexta-feira.

O apelo de Floyd antes de sua morte evocou as memórias dolorosas dos afro-americanos. Em 2014, um celular gravou um negro desarmado, Eric Garner, repetidamente dizendo "não posso respirar" enquanto um policial de Nova Iorque o sufocava antes de sua morte. Desde então, o apelo tornou-se um grito de protesto em manifestações contra a má conduta policial em todo o país.

No esporte, atletas se posicionaram contra o racismo. O maior jogador de basquete da história e hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls, Michael Jordan, emitiu comunicado ontem em seu perfil oficial do Twitter.

"Estou profundamente triste, machucado e nervoso. Eu vejo e sinto a frustração e ira de todos. Eu fico do lado daqueles que se opõem ao racismo e violência contra pessoas de cor no nosso país. Basta".

As tenistas Serena Willians e Coco Gauff; o jogador de basquete do Boston Celtics, Jaylen Brown; e o dirigente da NFL, Roger Goodell, também se manifestaram.

No futebol, o atacante Marcus Thuram fez dois gols na vitória de 4 a 1 do Borussia Mönchengladbach sobre o Union Berlin, ontem, pelo Campeonato Alemão. O francês não comemorou o primeiro gol, ele se ajoelhou e baixou a cabeça, em homenagem a George Floyd. Marcus Thuram é filho de Lilian Thuram, campeão mundial em 1998 com a França. O ex-zagueiro é ativista contra a discriminação racial.

Nesta segunda-feira (1º de junho), o Liverpool também protestou em seu Instagram. O clube republicou uma foto do perfil do meio-campista Jordan Henderson com todos os jogadores dos Reds ajoelhados ao redor do círculo central do gramado do estádio de Anfield Road com a legenda: a união faz a força. O goleiro brasileiro Alisson Becker utilizou a mesma foto em seu perfil oficial na rede social.

Na Fórmula 1, o britânico Lewis Hamilton questionou seu próprio esporte. Na ferramenta stories de seu Instagram, o hexacampeão criticou a falta de posicionamento de colegas de profissão.

"Eu vejo aqueles de vocês que ficam calados, alguns de vocês são as maiores estrelas e ainda sim ficam calados no meio da injustiça. Nenhum sinal de ninguém da minha indústria que, claro, é um esporte dominado por brancos. Eu sou uma das únicas pessoas de cor lá e ainda estou sozinho. Eu teria pensado que agora vocês veriam por que isso acontece e falariam algo sobre isso, mas vocês não podem ficar ao nosso lado. Apenas saibam que eu sei quem vocês são e eu vejo vocês"

 

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Com informações da Xinhua e da Agência Brasil

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