WEF, os riscos dos ricos

Como já se tornou rotina, o Fórum Econômico Mundial (WEF, World Economic Forum) apresenta um relatório sobre riscos globais, na abertura dos trabalhos. A 16ª Edição do Relatório de Riscos manteve a regra, mesmo neste WEF/2021 (“O Grande Reinício”), o primeiro virtual, o primeiro que prevê um complemento presencial em maio a se realizar fora da Suíça, em Singapura. Quaisquer embaraços na tradução são da inteira responsabilidade deste colunista.

O WEF deixa claro na apresentação do relatório que as informações não são auditadas, deixando à alçada dos autores toda a responsabilidade pela idoneidade e precisão dos dados utilizados. O endereço até a plataforma interativa de dados é wef.ch/risks2021

Ah! Surpresa… O presidente do Brasil, bem como o seu chanceler, não estão relacionados entre os participantes deste WEF, apesar de sua realização ter sido facilitada, pelo modo remoto.

 

Parceiros e consultores

O Relatório WEF de Riscos Globais tem por parceiros estratégicos Marsh McLennan; SK Group e Zurich Insurance Group. Como consultores acadêmicos são apresentados a Universidade Nacional de Singapura, a Universidade de Oxford e a Universidade da Pensilvânia.

 

O rastro da Covid-19

Desde as primeiras letras do relatório de 97 páginas, são mencionadas as perdas humanas e econômicas imediatamente derivadas da Covid-19, que ameaçam fazer retroagir anos de progresso na “redução da pobreza e desigualdades” (sic!), aponta o Relatório, que é estribado nas opiniões capturadas de cerca de 650 “stakeholders” (públicos interessados do WEF, no período compreendido entre 8 de setembro e 23 de outubro de 2020). Anualmente é realizado em Davos, Suíça (até a edição de 2021), que a maior parte da população mundial sequer sabe onde fica.

 

Quando explodirão?

Em resposta uma pergunta (“Quando estes riscos se tornarão ameaças críticas para o mundo?”) o Relatório agrupa os maiores riscos globais, de acordo com a percepção de eclosão dos seus efeitos mais severos, no curto prazo (0-2 anos), no médio prazo (3-5 anos) e no longo prazo (5-10 anos).

Em até dois anos (curto prazo), com 58% das respostas foi apontada a alternativa de risco “Doenças infecciosas”, seguida de “Crises de subsistência” (55,1 %), “Eventos climáticos extremos” (52,7%, resposta mais frequente de 2017 a 2021), “Falhas de cibersegurança” (39%), “Desigualdade digital” (38,3%), “Estagnação prolongada” (38,3%), “Ataques terroristas” (37,8%), “Desilusão dos jovens” (36,4%), “Erosão da coesão social” (35,6%), e “Danos ambientais causados pelo Homem” (35,6%).

Ante a mesma questão inicial, apontaram o período entre 3 e 5 anos como os de manifestação crítica das seguintes ameaças para o mundo: “Estouro de bolhas de ativos especulativos”, com 53,3% das respostas, seguida de “Quebra da infraestrutura de TI” (53,3%), “Inflação” (52,9%), “Choque nas commodities” (52,7), e “Crise das dívidas” (52,3%).

Repetida a questão inicial, apontaram o intervalo de até dez anos como o de manifestação crítica para os riscos seguintes: “Armas de destruição em massa” (62,7%); “Colapso do Estado” (51,8%); “Perda de biodiversidade” (51,2%); “Avanços técnicos adversos” (50,2%); “Crise de recursos naturais” (43,9%); “Colapso da seguridade social” (43,4%); “Colapso do multilateralismo” (39,8%); “Colapso de Indústrias importantes” (39,7%); “Fracasso das ações climáticas” (38,3%); e “Reação hostil à ciência” (37,8%).

 

Segundo a probabilidade

Em 2021, a pesquisa realizada junto aos “stakeholders” do WEF escala os riscos pela maior probabilidade de acontecerem ou pela severidade dos impactos. Pela maior probabilidade de acontecerem, são relacionados: 1º) “Eventos climáticos extremos” (desde 2017, na mesma colocação); 2º) “Fracasso das ações climáticas” (em 2019 e 2020, na mesma colocação); 3º) “Danos ambientais causados pelo Homem” (em 2020, 5º lugar); 4º) “Doenças infecciosas” (em 2020, não aparece); 5º) “Perda de biodiversidade” (em 2020, 4º lugar); 6º) “Concentração da capacidade digital” (em 2020, não figura); e 7º) “Iniquidade digital” (em 2020, não consta).

 

Segundo o impacto

Em 2021, o Relatório apresenta os riscos, escalados e ordenados em consequência da estimativa dos seus impactos, a saber: 1º) “Doenças infecciosas” (só figura anteriormente em 2015, no 2º lugar); 2º) “Fracasso das ações climáticas” (em 2020, no 1º lugar); 3º) “Armas de destruição em massa” (em 2020, 2ª maior frequência); 4º) “Perda de biodiversidade” (em 2020, 3ª maior frequência); 5º) “Crise de recursos naturais” (não figura em 2020); 6º) “Danos ambientais causados pelo Homem” (em 2020, 5º lugar); 7º) “Crises de subsistência” (em 2020, não consta).

Aí estão, acompanhadas de um cronograma (com Ano “D”, mas sem Hora “H”), as ameaças maiores na ótica dos donos do mundo, frequentemente chamados de “mercado.” Tantas previsões tenebrosas de colapsos, crises e desigualdades ressaltam a importância de investimentos na economia criativa, que façam emergir as cidades criativas e suas soluções.

Leia mais:

Didi Mocó, Mussum, Zacharias e Dedé

O melhor negócio do mundo

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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