Desde a publicação de nosso último relatório mensal, os cenários econômicos no Brasil e no mundo se tornaram mais desafiadores, afirmou editorial da XP Investimentos publicado nesta quarta-feira no site da corretora. O texto destaca que o cenário externo, o processo de alta de juros dos títulos de longo prazo das economias desenvolvidas continua, em especial nos Estados Unidos.
“É difícil dizer se é um processo de normalização frente aos níveis excepcionalmente baixos da pandemia, ou se reflete o risco de um processo inflacionário mais persistente. De toda forma, parece seguro dizer que os ventos externos não soprarão tão favoravelmente como vimos até agora”, diz.
De acordo com a Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, no Brasil, a dinâmica da pandemia piorou, demandando medidas restritivas mais duras. Na economia, a troca de comando na Petrobrás, a decisão de subsidiar preços de diesel e gás de cozinha e a tramitação da PEC emergencial sinalizam o risco de maior intervenção política. Por fim, a decisão do Ministro Fachin de suspender as condenações do ex-presidente Lula no âmbito da Lava-Jato tende a intensificar a polarização nas eleições de 2022.
Segundo a XP, o texto da PEC aprovado até agora no Senado foi relativamente positivo, com limitação do volume de recursos para o Auxílio Emergencial e contrapartidas de melhoria da governança fiscal. Mas a tramitação foi turbulenta, com sugestões como a retirada do Bolsa Família do teto de gastos apoiadas pela base do governo. Na Câmara, o Presidente Bolsonaro sinalizou intenção de diluir as contrapartidas.
Neste novo cenário, os prêmios de risco dos ativos brasileiros tendem a ser persistentemente mais elevados. Continuamos esperando uma apreciação da taxa de câmbio – refletindo o superávit das contas externas e a alta dos juros locais – mas em menor intensidade: 5,30 reais por dólar no final deste ano (4,90 antes).
O câmbio mais depreciado leva a uma inflação maior este ano e à necessidade de o Banco Central subir os juros mais rapidamente para manter o IPCA na meta em 2022. Projetamos agora a Selic em 5,0%, com seis altas consecutivas de 0,5 p.p. a partir deste mês.
“A piora da pandemia, o aumento da volatilidade dos ativos financeiros e a redução mais rápida dos estímulos monetários pesam sobre a atividade econômica, mesmo com a nova rodada de auxílio emergencial. Projetamos agora um crescimento menor neste ano e no próximo”, frisa o texto.
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