Zodíaco dos vinhos: Peixes

Açúcar residual mais alto ou incitada pelos aromas, acidez menos evidente, taninos em baixa proporção ou já suavizados.

Chegamos ao último signo do Zodíaco! A trama mitológica que envolve a criação da constelação de peixes é muito antiga – remonta à civilização babilônica. Peixes era a representação da deusa do amor, Afrodite, e seu filho Eros, ambos transformados em peixes, para escaparem do monstro Tifão (já citado em Capricórnio), que fora enviado por outros povos para enfrentar os deuses do Olimpo. Afrodite teria atado uma corda entre si e Eros para que não se perdessem um do outro ao se jogarem no rio. Assim se tem a representação dos dois peixes.

O planeta regente de Peixes é Netuno, o mais distante em relação ao Sol, com temperaturas de 200ºC negativos e ventos que podem atingir até 2 mil km/h. Tem ainda uma extensa órbita, cujo movimento de translação leva um tempo equivalente a 164 anos terrestres. A velocidade, a temperatura, a noção de tempo do “planeta azul” podem ser associados, em certa medida, à imensidão do mundo oceânico e sua baixa luminosidade, temperatura, profundidade e mistério.

Dos piscianos, último signo de água, diz-se que são muito sensíveis, intuitivos, espiritualistas, amorosos. A fruição do amor é menos familial, como em Câncer, ou sexual, como em Escorpião; trata-se de um amor mais universal, inclusivo, oceânico. A urgência das demandas muito concretas incomoda seus nativos. Há uma enorme sensibilidade e facilidade de absorção das energias do entorno, o que os torna muito frágeis e sujeitos aos escapismos.

Os vinhos que podem representar Peixes devem ser pautados pela suavidade, pelo perfil mais acolhedor, que não excita nem irrita, mas acalma e podem levar à reflexão, à meditação. Açúcar residual mais alto ou incitado pelos aromas (mel, fruta), acidez menos evidente, taninos em baixa proporção ou já suavizados.

O vinho do primeiro decanato é de uma cepa branca e traz um pouco do frescor de um signo de ar, que o antecede, mas está também associada ao dulçor. Essa uva participa de forma majoritária do corte dos vinhos brancos doces de Bordeaux, França, cujos bagos são acometidos da chamada “podridão nobre” – uma desidratação natural, provocada pela ação do fungo Botrytis cinerea. Este é um fungo que pode ser associado a doenças da umidade nos vinhedos, mas, em certas regiões, tem uma ação benéfica e ajuda as cepas a concentrarem açúcar, permitindo a produção de vinhos licorosos muito ricos. O vinho de Sauternes e regiões vizinhas podem usar Sauvignon Blanc e Muscadelle, mas Sémillon tem importante papel em sua trama aromática.

O vinho clássico pisciano é comumente chamado de Vinho de Meditação: o Amarone della Valpolicella. Produzido na região do Veneto, Itália, é uma joia rara, que tem um método de produção também diferenciado, o qual envolve a “passificação” das uvas visando à concentração de açúcar. Neste caso, o vinho não fica doce, pois é todo transformado em álcool, resultando em um vinho encorpado, mas muito redondo, com um bouquet potente e envolvente de frutas secas, tabaco, especiarias e até de café amargo (amaro é amargo em italiano), fruto do trabalho com as uvas Corvina, Rondinella e Molinara e na vinícola.

Já no terceiro decanato, o vinho pisciano vai ganhando, moderadamente, a energia do ariano. Dolcetto é uma cepa do Piemonte, Itália que faz um contraponto aos tânicos vinhos de guarda da região (Barolos e Barbaresco), gerando vinhos amáveis, muito frutados, de acidez e taninos mais baixos.

E, assim, Peixes começa a se reconectar com as vibrações do mundo, da luz, da terra, subindo das profundezas do oceano para emergir no primeiro decanato de Áries e reiniciar a sua jornada. Assim também termina a nossa viagem pelo universo dos humores do zodíaco e dos vinhos, que nos ajudam a significar e a vivenciar esse “negócio” mágico que é a vida.

 

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Miriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

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