Zodíaco dos vinhos: Sagitário

O ‘jupiteriano’ se espalha pelo mundo, cria conexões e deixa seus frutos em vários lugares.

Sagitário é um signo cheio de referências que ajudam a qualificá-lo, que em certos casos também nos desafia a encontrar mais precisão em suas definições. É um signo do elemento Fogo, terceiro do trio antecedido por Áries e Leão, o que já prenuncia bastante energia, mas, enquanto o primeiro se relaciona com a energia vital que impulsiona o querer e o segundo com uma energia que irradia e atrai, Sagitário nos fala de uma energia de expansão. Isso de certo modo parece estar relacionado e reforçado por outros elementos que configuram a sua escritura.

O planeta regente de Sagitário é Júpiter, o maior do sistema solar em diâmetro e massa, sendo que esta é 2,5 vezes a massa de todos os outros planetas juntos. Isso faz com que não só o Sol o atraia, mas também que o Sol seja atraído por Júpiter, e ambos girem em torno de um ponto gravitacional em comum. O planeta tem uma rotação muito rápida e é conhecido pela sua grande mancha vermelha, cujo tamanho é duas vezes o da Terra e é resultante de uma tempestade contínua, com ventos de até 650km/h.

Júpiter, para a mitologia romana, e Zeus, para a grega, é o Rei dos Deuses; Deus dos Raios e Trovões que coloca ordem no mundo, mas que também é meio “mulherengo”, pai de outras divindades, frutos de seus relacionamentos com deusas, ninfas e mortais. Finalmente, Sagitário está associado a Quíron, um centauro (metade homem e metade cavalo), conhecido pela inteligência e sensatez, mas com um perfil às vezes irracional, que cultiva a liberdade e a satisfação de seus instintos a qualquer preço. De tantas referências, podemos ressaltar que se trata de um signo que dota os seus regidos de muita energia e movimento. O “jupiteriano” se espalha pelo mundo, cria conexões e deixa seus frutos em vários lugares. Frequentemente é descrito como o signo dos viajantes, de temperamento curioso e otimista, adaptável a várias circunstâncias – uma companhia alegre, um aventureiro.

É hora do nosso personagem transeunte trocar as intensas fusões passionais escorpianas pela emocionante vida de “marinheiro”. Assim, os vinhos sagitarianos devem ter uma vibração acessível. Essa vibração pode vir de sua cor, seus aromas, sua acidez. No caso dos tintos, mesmo robustos, sua concentração tânica não pode desfavorecer sua expansão mundial, sua aceitação em contextos diversos. As cepas sagitarianas são calorosas e acessíveis, adaptáveis a várias regiões e paladares.

No primeiro decanato, temos um sagitariano menos popular, ainda marcado pela discrição e profundidade escorpiana. A cepa em questão é pouco conhecida mundialmente e é oriunda da Península Ibérica – vinificada especialmente no Noroeste da Espanha, onde se chama Mencía, e na região do Dão, em Portugal, com o nome de Jaen. É uma cepa que tem tudo para se difundir facilmente, por ter elementos fáceis de agradar o grande público: alta concentração de cor, aromas expressivos de frutas vermelhas e pretas, com uma estrutura encorpada e equilibrada pelas frutas, álcool e boa acidez.

A cepa clássica sagitariana é a Merlot, uma das variedades mais plantadas no mundo, que gera vinhos varietais, mas também é uma das protagonistas do nobre corte bordalês, em parceria com a Cabernet Sauvignon. A Merlot possui boa concentração de cor, aromas mais adocicados de frutas pretas, como amora e ameixa, baunilha, chocolate e taninos medianos. Quando a proporção de Merlot é maior no corte bordalês, certamente o vinho se apresenta mais macio e pronto para ser bebido mais cedo, mesmo que mantendo certa potência e estrutura.

A sagitariana do terceiro decanato é outra cepa campeã de plantação no mundo. Chardonnay está em quase todos os países – em muitos, como a mais vinificada dos vinhos brancos e como coparticipante na produção de espumantes, já que compõe o corte Champenoise. Versátil e nobre, faz vinhos de alta acidez e mineralidade, vinhos mais simples e frutados ou vinhos brancos mais estruturados e untuosos, com passagem por madeira. Dependendo do clima e do objetivo enológico, sempre haverá lugar para a Chardonnay. Ela é sinal de bons negócios e atende bem aos projetos ambiciosos dos capricornianos, que vêm a seguir!

 

Participe dos cursos e aulas com degustação ministrados por Míriam Aguiar. Turmas abertas para o Passaporte França da CAFA Bordeaux e para o IWC da norte-americana ISG. Instagram: @miriamaguiar.vinhos. Blog: miriamaguiar.com.br/blog

Miriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Vinhos do Dão: elegância consistente do Centro Norte de Portugal

Dão Experience apresenta a riqueza de sua vitivinicultura com prova virtual de cinco vinhos premiados.

Eleitores brasileiros no exterior

Por Bayard Boiteux

‘Vices’ assumem e dão show de competência

Por Sidney Domingues e Sérgio Braga.

Últimas Notícias

Manguinhos e Ambev lideram dívidas ao Fisco estadual

Estudo da Fenafisco aponta que os maiores devedores também recebem isenções fiscais em suas áreas de atuação.

Investidores monitoram Campos Neto

Mercados externos negociam, em sua maioria, no positivo; na Europa é aguardada a decisão de política monetária do BCE.

Semana começa com estresse pós-traumático

Na sexta, mercados domésticos ficaram por conta da sensação de desmanche da equipe econômica de Paulo Guedes.

Reforma da Previdência desestimulou contribuição

Por Isabela Brisola.

Guedes fica mesmo avaliado com nota baixa

Apesar de abrir a possibilidade de aumentar a crise econômica e do desrespeito ao teto de gastos ou outras regras fiscais para bancar medidas...