Zodíaco dos vinhos: Virgem

Contido, sem excessos, pode alcançar elevada reputação e consistência de qualidade, fruto do preciosismo de sua produção.

Na mitologia grega, Virgem está associada a alguns mitos, o mais difundido é o de Deméter, deusa da colheita e da fertilidade, a qual gerou uma filha com Zeus, Perséfone, raptada por Hades para viver no submundo. Em vingança, Deméter deixou a terra seca. Após negociação entre eles, a fim reequilibrar o ciclo de fertilidade da Terra, Perséfone passa 6 meses com a mãe, plantando e colhendo, e 6 meses reclusa com o marido.

Virgem é um signo regido por Mercúrio, planeta associado à conexão, à atividade mental e à comunicação entre as partes. É o mesmo planeta de Gêmeos, mas, diferentemente do geminiano, Virgem é um signo do elemento Terra. No primeiro caso, Mercúrio está aliado ao Ar, potencializando a sociabilidade. No signo de Virgem, essa energia mental é investida de um senso mais pragmático, buscando resultados mais concretos, próprio do elemento Terra.

Assim, o signo de Virgem é muito focado em suas ações, tem um senso prático aguçado. É perfeccionista, metódico em tudo o que faz e isso às vezes o torna frio e excessivamente crítico. Embora vaidoso, como o seu antecessor, “não dá pinta”… é discreto e está no controle, para que tudo esteja na mais perfeita ordem. É hora do leonino, que desprende demasiada energia para estar no centro das atenções, fazer uma autocrítica, avaliar aquilo que mais lhe convém e até que ponto sua projeção lhe traz benefícios.

O vinho virginiano é, à sua imagem, mais contido, sem excessos de cor, aroma, sabores. Tampouco é muito conhecido e popular, mas, certamente, é um vinho que pode alcançar elevada reputação e consistência de qualidade, fruto do preciosismo de sua produção. Não é um vinho simples, comum. Assim como exige de si mesmo, exige um consumidor atento, especializado, que alcance as suas particularidades metodicamente construídas.

No primeiro decanato, temos uma cepa italiana de grande renome – ela reina à moda leonina na região do Piemonte, fazendo dois dos vinhos mais consagrados no mundo: Barolo e Barbaresco. Faz vinhos potentes, embora com aparência mais clara, com altos níveis de acidez, tanino e álcool. A potência e a imponência de seus vinhos são traços do signo antecedente, mas o perfil agrícola, produtivo e a maneira como eles se apresentam ao consumidor são bem virginianos.

A Nebbiolo não é uma cepa de fácil adaptação internacional. É uma cepa que brota cedo e amadurece tardiamente, precisando de atenção e de uma boa e longa exposição. Seu nome decorre da aparência dos seus vinhedos, cobertos pela neblina (nebbia em italiano), nas colinas piemontesas em períodos de colheita. Seus vinhos são excelentes, mas requerem tempo para expressarem seus aromas: sutis, complexos e terciários, com pouca expressão de fruta primária.

No segundo decanato, o clássico virginiano é também grandioso e de público mais restrito, em função de seu metódico e sofisticado processo de produção. Falo do Jerez (Xerez), vinho fortificado produzido na região de Andaluzia, Espanha, o qual tem como cepas principais as uvas brancas Palomino e, para os perfis doces, Pedro Ximenez e Moscatel. Os estilos de seus vinhos vão sendo definidos ao longo do processo, com particulares metodologias de produção e maturação: crianzas biológica ou oxidativa e envelhecimento pelo sistema de solera, que permite a mistura de vinhos de vários anos. Diferentemente de outros fortificados, prevalece o Jerez seco, menos frutado e acessível sensorialmente, com aromas de castanhas, especiarias e frutas secas.

Para fechar, Virgem em seu terceiro decanato apresenta ares librianos – signo de ar e da diplomacia, que concede mais leveza e acessibilidade ao virginiano. Chenin Blanc é uma cepa pouco globalizada e conhecida, a despeito de sua finesse e múltiplo aproveitamento onde se estabeleceu bem: Vale do Loire e África do Sul. Nesses locais, ela dá origem a vinhos espumantes, secos e doces, alguns de grande renome. O que talvez diminua a sua popularidade é certa contenção aromática, especialmente na juventude, mas que, combinada a métodos e tempo de maturação, pode levar a deliciosos aromas de mel e frutas secas, sempre dosados com excelente acidez.

Participe dos cursos e aulas com degustação ministrados por Míriam Aguiar. Instagram:@miriamaguiar.vinhos. Blog: miriamaguiar.com.br/blog

Miriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Vinhos do Dão: elegância consistente do Centro Norte de Portugal

Dão Experience apresenta a riqueza de sua vitivinicultura com prova virtual de cinco vinhos premiados.

Eleitores brasileiros no exterior

Por Bayard Boiteux

‘Vices’ assumem e dão show de competência

Por Sidney Domingues e Sérgio Braga.

Últimas Notícias

Reforma da Previdência desestimulou contribuição

Por Isabela Brisola.

Guedes fica mesmo avaliado com nota baixa

Apesar de abrir a possibilidade de aumentar a crise econômica e do desrespeito ao teto de gastos ou outras regras fiscais para bancar medidas...

Ex-ministro de Temer substituirá Funchal

O ex-ministro do Planejamento Esteves Colnago assumirá o comando da Secretaria Especial de Tesouro e Orçamento da pasta. A nomeação foi confirmada nesta sexta-feira...

Receita Federal abre consulta a lote residual de Imposto de Renda

A Receita Federal abriu nesta última sexta-feira consulta a lote residual de restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) relativo ao mês...

Vendas do Tesouro Direto superam resgates em R$ 1,238 bi em setembro

As vendas de títulos do Tesouro Direto superaram os resgates em R$ 1,238 bilhão em setembro deste ano. De acordo com os dados do...