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Zuckerberg considerou deixar de investigar danos sociais nas plataformas

Segundo CEO da Meta, análise causaria mais problemas judiciais e críticas para a empresa

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Mark Zuckerberg (foto de Joiyce N. Boghosian, Casa Branca - DP)
Mark Zuckerberg (foto de Joiyce N. Boghosian, Casa Branca - DP)

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, considerou deixar de realizar pesquisas internas sobre questões e problemas sociais em suas plataformas, como o Instagram, pois refletiu que elas causam mais problemas judiciais e críticas para a empresa do que para outras empresas do setor que não analisam internamente esses problemas.

A empresa proprietária do Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp realiza pesquisas regularmente sobre questões sociais em suas plataformas, como a saúde mental dos adolescentes. Essas análises são feitas para entender como os usuários interagem nas redes sociais mencionadas e quais problemas surgem, com o objetivo de ajudar a oferecer experiências seguras e positivas aos jovens.

No entanto, os resultados desses relatórios causaram problemas para a Meta em várias ocasiões, como em sua comparecimento perante o Comitê Judiciário do Senado dos EUA, juntamente com outras quatro redes sociais, para testemunhar sobre seu papel na gestão do abuso sexual infantil e dos problemas de saúde mental em menores.

Agora, no âmbito de um processo judicial no estado do Novo México (EUA), que acusa o Facebook e o Instagram de criar um “mercado para predadores em busca de crianças” e apresentar enganosamente seus produtos como seguros para adolescentes, foram revelados documentos internos da Meta que mostram que Mark Zuckerberg chegou a considerar se a empresa deveria mudar sua abordagem sobre a investigação dos possíveis danos sociais de suas plataformas.

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Essa reflexão do CEO surgiu em setembro de 2021, um dia após a publicação de relatórios baseados em vazamentos que indicavam que o Instagram piorava a imagem corporal de 32% das adolescentes que usavam a rede social e já se sentiam mal com seu corpo.

Além de publicar um comunicado matizando as investigações sobre como o Instagram afeta as adolescentes e negando as acusações de ser uma rede social “tóxica”, Zuckerberg enviou um e-mail confidencial aos altos executivos da Meta, entre eles a então diretora de operações Sheryl Sandberg e o responsável por assuntos globais Nick Clegg, em que expressou sua preocupação com o fato de a empresa receber mais críticas públicas por investigar e documentar esse tipo de problema.

Isso foi compartilhado pelo The Verge, que teve acesso ao conteúdo do e-mail, no qual Zuckerberg também aponta que esse tipo de prática prejudica mais a Meta do que outras empresas concorrentes, como a Apple, que optam por não estudar seus serviços nem assumir responsabilidades semelhantes.

Especificamente, Zuckerberg esclareceu nas comunicações internas que a Meta “recebeu mais críticas” porque, ao informar sobre os problemas sociais, “faz parecer que há mais desse comportamento” em suas plataformas.

Da mesma forma, o CEO também fez referências a outras empresas do setor, como YouTube, Twitter e Snap, das quais detalhou que “adotam uma abordagem semelhante, embora em menor grau”. Por exemplo, ele afirmou que “o YouTube parece enterrar intencionalmente a cabeça na areia para passar despercebido e não ser o centro das atenções”.

Da mesma forma, alegou que “talvez o Twitter e o Snap simplesmente não tenham recursos para fazer esse tipo de investigação”. No entanto, deve-se levar em conta que o YouTube conta com seu Comitê Consultivo de Jovens e Famílias e, por sua vez, o Snap dispõe do Índice de Bem-estar Digital.

“Acho que devemos ser elogiados pelo trabalho que fazemos para estudar, compreender e melhorar as questões sociais em nossas plataformas”, afirmou Zuckerberg, ao mesmo tempo em que alegou que “infelizmente, a mídia tende mais a usar qualquer pesquisa ou recomendação para dizer que não estamos fazendo tudo o que podemos, em vez de que levamos esses problemas mais a sério do que ninguém em nosso setor, estudando-os e buscando soluções, nem todas razoáveis de implementar, porque tudo tem seus compromissos”.

Com informações da Europa Press

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